Arquivo para cinema
gosto…
do monólogo final do personagem Lester no filme “Beleza Americana”…
Lester Burnham: [narrating] I had always heard your entire life flashes in front of your eyes the second before you die. First of all, that one second isn’t a second at all, it stretches on forever, like an ocean of time… For me, it was lying on my back at Boy Scout camp, watching falling stars… And yellow leaves, from the maple trees, that lined my street… Or my grandmother’s hands, and the way her skin seemed like paper… And the first time I saw my cousin Tony’s brand new Firebird… And Janie… And Janie… And… Carolyn. I guess I could be pretty pissed off about what happened to me… but it’s hard to stay mad, when there’s so much beauty in the world. Sometimes I feel like I’m seeing it all at once, and it’s too much, my heart fills up like a balloon that’s about to burst… And then I remember to relax, and stop trying to hold on to it, and then it flows through me like rain and I can’t feel anything but gratitude for every single moment of my stupid little life… You have no idea what I’m talking about, I’m sure. But don’t worry… you will someday.
**
Sempre ouvi dizer que a vida inteira passa como um flash diante dos nossos olhos no segundo antes de morrermos. Antes de mais nada, esse um segundo não é um segundo em absoluto, ele se estende para sempre, como um oceano de tempo… Para mim, foi deitar no chão do acampamento dos escoteiros, olhando estrelas cadentes… E folhas amareladas, das árvores que se enfileiravam na minha rua… Ou as mãos da minha avó, e como sua pele parecia papel… E a primeira vez que vi meu primo Tony com seu Firebird novinho em folha… E Janie… E Janie… E… Carolyn. Acho que eu poderia estar puto com o que aconteceu comigo… mas é difícil ficar com raiva quando há tanta beleza no mundo. Às vezes eu sinto como se estivesse vendo tudo de uma vez, e é muita coisa, meu coração se enche como um balão prestes a estourar… E então eu me lembro de relaxar, e parar de me apegar, então tudo flui através de mim como chuva, e não consigo sentir nada além de gratidão por cada um dos momentos da minha pequena vida besta… Você não tem idéia do que estou falando, tenho certeza. Mas não se preocupe… um dia terá.
se isso, então aquilo
Lembrei de uma coisa legal… Assisti esses tempos ao filme “Eterno Amor”, do diretor francês Jean-Pierre Jeunet, o mesmo que fez “Amelie Poulain”. Aliás, esse também é com a Audrey Tatou, a Amelie. Esse aqui é um pouco mais sombrio que o primeiro, mas tem suas esquisitices divertidas. Uma delas é a mania que Mathilde (Audrey Tatou) tem para comprovar sua intuição de que o noivo não morreu na guerra. Lá está ela, no quarto, esperando o tio entrar para servir o café da manhã. Aí ela diz: se o cachorro der três voltas para a direita antes de deitar e meu tio trouxer panquecas de morango, isso significa que meu noivo está vivo. Se o passarinho fizer cocô no vão da porta, quer dizer que ele está vivo. Se o sino da igreja tocar ao mesmo tempo que o carteiro escorregar nas pedrinhas na frente da casa, ele está vivo. Ela faz isso várias vezes durante o filme… Escolhe qualquer combinação esdrúxula de fatos e a transforma num oráculo.
Prático, não?
E eu aqui tentando decifrar o I-Ching.
No mais, recomendo o filme.
cura na tela
Assisti dois filmes com o Robert Redford nesses últimos tempos que me tocaram bastante e me fizeram derramar umas lágrimas bem justas, daquelas que a gente chora com gosto.
O último foi “O Encantador de Cavalos” (The Horse Whisperer), de 1998, dirigido pelo próprio Redford. Um filme sobre a recuperação de uma menina e seu cavalo traumatizados depois de um terrível acidente. Redford interpreta um vaqueiro rústico, silencioso, mas que preza pela simplicidade das coisas e tem o dom de “ouvir a alma” dos cavalos, e não só dos cavalos…
O outro foi “Um Lugar para Recomeçar” (An Unfinished Life), de 2005, dirigido por Lasse Halström, o mesmo que fez “Chocolate” e “Regras da Vida”. Esse não tem cavalos, mas tem um urso. E a atuação sensível do Morgan Freeman. Também é bem forte. É uma história sobre rancor e perdão. Sobre o aspecto selvagem da vida, que nos fere apenas porque não aceitamos que certas coisas fazem parte da natureza.
Os dois filmes têm muito em comum, inclusive alguns personagens-arquétipos semelhantes e até uma cena que parece citação. Ambos falam das forças da natureza, dentro e fora do homem. Falam de como a vida fere e cura.
Altamente recomendável!
P.S.: No “Encantador de Cavalos”, tem uma cena que pra mim virou a quintessência da aceitação. Lá pelas tantas perguntam pro personagem do Redford: “Por que tudo isso foi acontecer?”. Ele responde: “Não sei, não me faço esse tipo de pergunta”.