andar com o pé eu voo

eloise de vylder

Arquivo para fevereiro, 2008

desculpas formais

rimar é inevitável…
com certeza não é preciso,
nem de bom gosto, nem de bom tom.
mas acontece sem aviso…
as palavras dançam conforme o som,
e chegam de improviso,
violentando as linhas,
pisoteando as imagens,
ignorando as figuras
de linguagem
mentalmente elaboradas.
e eu, impotente,
assistindo o desenhar
da rima impertinente
nas linhas maltraçadas.

assim não dá!

chega, basta!

amor não combina com dor
o coração não segue a razão
na única poesia viável.

anotação #2

mesmo que a palavra não se mostre,
contemplo a linha, caneta à mão.
escrever é perscrutar o ausente:
a memória, a imaginação;
passado e futuro imersos
no instante existente.

anotação

entre o céu e a terra
os pés tocam o chão
e os olhos as nuvens.

as palavras, às vezes,
o coração.

Terra

No vasto terreno
De sonhos azuis
Em terras austrais,
De vôos astrais
Em nuvens anis,
Ao sabor das marés
E dos vendavais,

Caminho a esmo.

Só a Lua no céu,
E eu sem cais.

Alegria

A luz brinca com a sombra nas folhas da copa
Lua desce, sobe o sol
Elevo os braços até o brilho
Giro com a Terra e o girassol
Respiro o som das ondas
Indo e vindo sem cessar
Azul que une o céu e o mar