andar com o pé eu voo

eloise de vylder

Arquivo para abril, 2008

o rio é um romance
a pedra, um poema pronto
o mar… é o encontro

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profundo

vai o cachalote
pro fundo do mundo
com ar no cangote

expiração

a inspiração expirou
passou do prazo vide o verso
nem pra qualquer coisinha
como fazer um bilhete
ou macarrão com sardinha

e era uma vez uma musa
que trancada numa latinha
com data de fabricação,
em azeite extra virgem,
encolhidinha, expirou

sombra

sombra, sombra minha
quisera fosse sombrinha

mudança

outono cai folha;
viro a página da história
pela minha escolha

refletindo

Olhando para mim
Surpreendo meu reflexo
Para mim olhando

***

Quem vai do outro lado
E me olha de soslaio
Senão eu espelhado?

***

Na parede nua
O espelho encobre o concreto
Com seu reflexo abstrato

***

Do ilusório espaço
Atrás do espelho
Me despeço

Assim desfaço
O mundo avesso
Do meu reflexo

cara ou coroa?

Sem vício
Não há sacrifício

Sem chão
Não existe a queda

Sem contra-mão
Não há caminho

Sem duas faces
Não existe a moeda