andar com o pé eu voo

eloise de vylder

Arquivo para maio, 2008

fazendo faxina

Andei faxinando a casinha de Analândia esses tempos e foi uma experiência muito boa. Fazia tempo que eu não cuidava dessas coisas porque aqui em casa tem a Bete pra salvar a pátria. Então aproveitei a semana que passei por lá para pegar na vassoura, tirar teias de aranha e as traças penduradas na parede (finalmente entendi a expressão “abandonado às traças”), e , pra variar, perceber o sentido metafísico ou metafórico de tirar a poeira das coisas.

Enquanto varria os cantos mais difíceis, me livrava dos carrapichos grudados nas roupas (o gramado está cheio deles, uma praga), lavava louça e espanava os móveis, iam caindo as fichas sobre a faxina interna pela qual estou passando ultimamente. (Porque chega uma hora em que a gente percebe que não dá mais pra varrer tudo pra debaixo do tapete, né?) Daí que acabei escrevendo algumas anotações que podem vir a ser úteis pros faxineiros de plantão… Aí vão elas:

Varrer é Preciso

Quem já limpou casa sabe que não adianta nada chegar com um esfregão molhado se os tufos de poeira se acumulam pelos cantos. Tem que varrer antes, ou seja, fazer a varredura da sujeira que se acumulou com o tempo. Varrer é reconhecer o território, saber o quanto de trabalho teremos pela frente.

O primeiro passo é limpar o mais grosso. De que vale ficar polindo um móvel lustroso se a casa inteira está cheia de poeira e traças pelos cantos? À medida que varremos a poeira mais óbvia, vamos percebendo aqueles cantinhos onde ela se acumulou há mais tempo. Esses são os ângulos da nossa sujeira, os lugares em que as coisas de fato se acumulam – pode-se pensar em complexos, condicionamentos, todas as mágoas que fomos guardando sem prestar atenção.

Quando varremos os cantinhos atrás das portas, da mobília, etc, descobrimos lugares ainda mais remotos com uma sujeira verdadeiramente ancestral! Sabe aquela sujeira meio grudenta atrás do fogão, debaixo do balcão da pia, daqueles lugares que ninguém nunca mexeu antes? É a sujeira avó, a sujeira que tá no código genético de tão impregnada. Então… Essa, de primeira, não dá pra mexer. Mas é bom saber que ela existe. Já dá pra fazer planos de comprar um vaporetto no shoptime ou um daqueles produtos que tem “magic” no nome. Mas isso só depois de limpar o grosso.

Levantou Poeira

É normal que quando a gente comece a varrer a casa a poeira levante. Se for um daqueles dias secos, de vento então, o bicho pega. E se não estivermos bem conscientes de que estamos no meio de uma faxina, poder dar um certo desespero ver tanto pó… Fica difícil respirar, difícil enxergar.

Nesse caso, como na faxina material, um pouco de água resolve. Água no paninho que tira pó dos móveis, água pra lavar a louça acumulada, água pra lavar o banheiro. Ela ajuda a assentar a poeira e a enxergar mais claramente. Então prepare os lenços de papel e chore à vontade, porque a faxina está só no começo!!!

De início, pode parecer muita poeira pro nosso caminhãozinho… Nesse caso é bom se concentrar numa área pequena, não adianta tentar limpar tudo ao mesmo tempo. Perceber que já conseguiu lavar toda a louça e a pia da cozinha está brilhando pode dar um ânimo novo pra continuar com a faxina.

Música é Fundamental

Aqui não é preciso dizer muita coisa, afinal, quem canta seus males espanta. A música tem me ajudado muito nessa tarefa de faxinar dentro e fora. A vida sem música é muito chata. E tem tanta trilha sonora boa pra faxina. Tem aquelas músicas que relaxam quando a gente tá uma pilha, tem aquelas que cantam exatamente o que a gente sente, tem as que fazem a gente pular sem motivo e as que levantam o astral pra pegar no batente. Ninguém precisa de iPod pra isso, porque também tem a música que tá dentro da gente, aquelas melodias inventadas, com letras sem pé nem cabeça… Essas são as mais legais. Às vezes, confesso, eu canto em baleiês.

Pare um pouquinho, descanse um pouquinho

Se ficar cansado, pare um pouquinho… Vá caminhar, ver um filme besta, dar umas risadas, andar no mato, tomar sol. Isso é fundamental. Fazer faxina cansado ou de saco cheio é pior, porque a gente pode até ficar doente de ver tanta poeira ou mexer na água fria. O corpo precisa estar bem, no pique pra arrastar os móveis, bater os tapetes e lavar cortinas.

Visitas

Sabe aquele ponto da faxina em que tudo parece de pernas pro ar? Tapetes enrolados, móveis afastados, camas desfeitas, panos por todos os lados e montinhos de pó esperando a pá? Pois bem, esse é um péssimo momento para chamar as visitas pro chá das cinco. Senão é bem capaz de você oferecer uma xícara com batom na borda ou bolo com cabelo.

Bom mesmo é receber os amigos e os conhecidos quando a casa estiver limpa, em ordem, sem essa de “não repare a bagunça”. Aí dá pra curtir mais ficar com os nossos convidados. Mas nem sempre é possível se isolar pra fazer nossa tão necessária faxina.

Por enquanto, como você ainda não está em condições de fazer sala, pelamordedeus evite receber aquelas pessoas que vão só apontar pros seus cantos imundos (como se elas não os tivessem) e criticar as perninhas de barata e cacos de vidro que você ainda não varreu! Quando isso é demais, ou vem disfarçado de conselho, ou então pega a gente desprevenido, pode ser desanimador. Não deixe ninguém com os pés enlameados trazer mais sujeira pra dentro.

As únicas pessoas que podem te visitar nessas horas são os amigos do peito mesmo. Aqueles que te conhecem bem e gostam de você independente da poeira. Como bons amigos, eles até podem te ajudar a passar um paninho molhado, trazer um CD pra levantar o astral, ajudar a cortar a grama, desenferrujar o portão…

Ajuda especializada

Às vezes a gente precisa mesmo de uma ajudinha… Quando os amigos não são assim tão solícitos, ou quando é impossível dar conta sozinho da própria sujeira, é bom contratar alguém que entenda do serviço a ser feito. Talvez seja difícil arrumar uma boa faxineira, mas com otimismo, sorte e algumas tentativas a gente pode arrumar alguém cujo santo bata com o nosso e que possa nos ajudar a entender a nossa bagunça.

Se você chegou num ponto em que não consegue enxergar mais nada, chame alguém para limpar os vidros. Aí vai dar pra ver onde foi que você guardou a vassoura, o pano de chão… Com alguém do nosso lado, o trabalho fica bem mais fácil e até divertido.

Lixo

Não se esqueça de reservar muitos sacos de lixo pra dar um destino à sua sujeira. Não adianta nada varrer e juntar os tufos de poeira pelos cantos. Tem que saber que é preciso jogar fora certas coisas. Outras podem ser reaproveitadas, recicladas. Algo que era entulho em um lugar da casa pode ganhar utilidade em outro. Percebi também que estando mais próxima da natureza, a poeira devidamente molhada vira terra fértil pra plantar aquele sonho que estava mofando na gaveta. (No meu caso, por exemplo, a faxina tem me ajudado a voltar a escrever. Ou será que escrever é que tem me ajudado a faxinar? Mmm…)

A vassoura mágica

Nossa amiga tão indispensável para a limpeza também pode se tornar nossa pior inimiga (já dizia o Gita). Sabe aquela vassoura que tem pelinhos na ponta e vai acumulando a sujeira dos lugares por onde passa? Quando você chega na metade da limpeza descobre que está mais sujando do que varrendo. Ela vai deixando migalhas, montinhos pretos e engordurados pelo caminho. Se passa por um chão molhado, então, é um verdadeiro estrago.

Pois bem, limpar a vassoura é fundamental. Ela é a nossa principal ferramenta na limpeza. A vassoura faz um trabalho parecido com o da nossa mente na faxina interna. Ela leva a atenção para a sujeira a ser removida. Quando está limpa, ela não se espanta com a sujeira porque sabe que é apenas uma faxina. Ela não se intimida porque está disposta a trabalhar e sabe que não adianta torcer o nariz, nem de desgosto, nem na tentativa de arrumar tudo num passe de mágica à la Feiticeira.

A boa vassoura está sempre consciente do que está acontecendo dentro da casa e de sua responsabilidade. Ela sabe quais os lugares que deve acudir primeiro e o que pode esperar mais uns dias. A vassoura, quem diria, é uma ferramenta de discernimento!

Por fim, como toda bruxa que se preze sabe, as vassouras também foram feitas pra voar! Termine sua faxina, limpe bem a sua vassoura e lá vamos nós! (Quem não viu esse episódio do Pica-Pau que me perdoe.)

***

Por aqui, ainda tenho uns móveis pra arrastar, mas assim que aprender a usar o esfregão, dou notícias! E lá vamos nós!

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Ah, deixo aqui também uma dica de leitura que me inspirou bastante pra esses assuntos relacionados a faxina e arrumação:

“Arrume sua bagunça com o Feng Shui”, Karen Kingston, editora Pensamento.

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fome

a terra dá o que comer
há quem come e há quem morre de fome
e a ambos há de comer