andar com o pé eu voo

eloise de vylder

Arquivo para agosto, 2008

brujería

madrugada, perguntou-me a coruja
se acredito ou não en las brujas.
respondi que não, e tenho dito,
pero que las hay… ai ai!

in my gatitude…

in my gatitude,
i’m used to be all alone.
there’s no solitude…

namorico

rolinha em cima do muro
columbina diz pra pierrô:
– jura que me ama?
– juro! – ele falou

(o amor está no ar…)

e trocam mimos
e catam pulgas
e beijam no bico
e fazem ninho

em seu namorico
de passarinho

***

sério, esses bichinhos se chamam Columbina talpacoti

maritaca

essas danadinhas gostam de uma árvore aqui da rua, que tem vagens enormes. ouvi a algazarra e fui lá fotografar, mas depois da primeira foto elas ouviram os gritos de outras maritacas mais ao longe e saíram em debandada. só saiu essa, escondidinha.

tarde ensolarada,
a maritaca trina
qual uma matraca:
hakuna matata

beija-flor

olha ele aí:

e a lantana, do ponto de vista dele:

passarada

no finzinho da tarde, eles se reúnem pro chá das cinco no quintal…

tem também um beija-florzinho residente que eu ainda não consegui fotografar… pequenino, barulhento e verde-brilhante, é mais rápido que o ar.

gaveta

Enquanto traduzo um texto sobre a morte dos jornais de papel e a emergência da imprensa digital, penso sobre os poemas que joguei fora porque ocupavam espaço demais na gaveta. Sobrou um, rabiscado com a mão esquerda numa folha de papel para caligrafia. Dobradinho, ocupa quase nada de espaço. Mas aqui na rede tem uma dimensão muito mais irrisória, armazenado em código binário num chip minúsculo em algum dos servidores do wordpress. Todavia é um poema de gaveta.

Ontem foi passado
Sobre as linhas das ruas e dos rostos
Retas e rotos
Respectivamente

Ontem choveu
Cântaros, lágrimas, clichês
Sonoros, salgadas, batidos
Repetitivamente

Ontem saltou
Do canto do quarto
A corda do meio
Estridente, dissonante, evidente

Assustou o passante
e o passado
Momentaneamente