andar com o pé eu voo

eloise de vylder

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in my gatitude…

in my gatitude,
i’m used to be all alone.
there’s no solitude…

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ave, vida

Às vezes me pego vendo a vida como uma força quase indestrutível, que supera todas as adversidades e consegue vicejar etre rachaduras de asfalto, tubos hospitalares, guerras civis e outras condições difíceis. Mas em outros momentos ela parece muito mais frágil, como uma linhazinha fina amarrada a um balão suspenso no ar, que pode ser rompida por qualquer vento ou galho de árvore.

Hoje um passarinho morreu na minha mão. Com a asa quebrada, a força que havia nele ainda fez algumas tentativas de vôo, mas ele não se sustentava mais nem no ar e nem na terra. Parece que no momento em que percebeu que a vida era inviável, decidiu ir embora… E assim foi. Leve, desprendido, como só os pássaros sabem ser. Foi embora como o vento.

***

vida se esvaindo
tal qual uma ave entre os dedos
pro céu vai-se indo

***

gracias, pequeno…

fome

a terra dá o que comer
há quem come e há quem morre de fome
e a ambos há de comer

o rio é um romance
a pedra, um poema pronto
o mar… é o encontro

profundo

vai o cachalote
pro fundo do mundo
com ar no cangote

mudança

outono cai folha;
viro a página da história
pela minha escolha

refletindo

Olhando para mim
Surpreendo meu reflexo
Para mim olhando

***

Quem vai do outro lado
E me olha de soslaio
Senão eu espelhado?

***

Na parede nua
O espelho encobre o concreto
Com seu reflexo abstrato

***

Do ilusório espaço
Atrás do espelho
Me despeço

Assim desfaço
O mundo avesso
Do meu reflexo